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quinta-feira, 5 de março de 2015

PROFESSOR TOUPEIRA




Professor Toupeira

O professor toupeira é uma espécie que se prolifera em um hábitat onde não há responsabilidade com o ensino de qualidade, ou seja que não se dispõe a prover um aprendizado de requisitos básicos necessários a qualquer indivíduo em fase de escolarização. No Brasil por possuir um dos piores índices de educação pública essa espécie pode ser encontrada em praticamente em todas as regiões.
O professor toupeira costuma se esconder nos buracos existentes de um sistema de ensino público precário. No qual permite a existência do fracasso escolar, que se dá quando o aluno passa pela séries sem o aprendizado devido. Suas avaliações se comprometem a “deixar passar” o maior número de alunos possíveis em sua disciplina, sem se questionar se de fato tenha havido um aprendizado. Como resultante de sua prática temos um efeito de bola de neve no qual vai ocorrendo acúmulos da não-apropriação do aprendizado.
Suas atitudes em sala de aula não refletem a um papel de educador preocupado com a aprendizagem significativa do seu aluno. Como não enxerga bem, ou se acomodou dessa forma, faz vista grossa em relação ao aprendizado real que os alunos que passam pela sua disciplina deveriam aprender. Desta forma a maior parte dos alunos que passam por suas mãos não aprendem o que deveriam por conta da sua pouca visão da necessidade do aprendizado significativo para a vida dos alunos.
O motivo do seu comportamento muitas vezes advém do próprio ecossistema em que está inserido.Contando com poucos recursos como saláriobaixo(Atualmente professor da rede pública de ensino fundamental ocupa um dos piores índices em escala mundial), pouco reconhecimento do seu papel na sociedade, pouco respeito e admiração pela maior parte do seu alunado. Outro fator predominante para o desenvolvimento desta espécie é a falta de vocação para odesempenho de tal função.
A junção de todos esses fatores tornou promissor a evolução desta espécie. Porém, nos últimos anos têm havido uma busca constante pelo melhoramento da educação. Logo, com o passar dos anos e melhoramento das condições do sistema de ensino público brasileiro essa espécie tende a entrar em extinção.


sábado, 6 de dezembro de 2014

AVALIAÇÃO SEM APRENDIZAGEM

  
O presente texto busca ser um relato de momentos que passei como aluno durante os anos vividos nas diferentes escolas que frequentei ao longo da minha infância e adolescência. Ao recordar fatos marcantes na minha vida estudantil pude perceber que a avaliação da aprendizagem foi em grande parte exercida pela lógica da classificação, na qual cabia aos alunos de forma massiva a decoração e repetição dos conteúdos presentes no material didático.

Minha infância no ensino fundamental

Em toda a minha vida apenas frequentei escolas públicas, sempre fui uma criança/adolescente quieto, disciplinado que certamente não teria uma ocupação com a galera bagunceira que geralmente sentavam ao fundo da sala de aula, mas também, não me sentava na frente perto dos Cdf´s, costumava me acomodar nas carteiras do meio. Eu estudava sempre o que era necessário nem de menos, nem de mais, como aluno fazia o que era necessário para seguir adiante na trajetória escolar.
Grande parte da minha infância foi vivida no Rio de Janeiro, lá estudei em um colégio intitulado Colégio Municipal México onde guardo lembranças das amizades que fiz com colegas, o carinho e atenção que recebi de certos professores, das avaliações e consequentemente as notas obtidas.
A avaliação da aprendizagem nesta escola era expressa através de conceitos EP (em processo), S (satisfatório)e PS (plenamente satisfatório), que respectivamente simbolizavam o nível atingido pelo alunado na avaliação, menor que 40%, entre 40% e 69% e 70% ou superior.
Lembro-me que em certo ano do ensino fundamental tínhamos uma professora nova de matemática que certamente deveria ser o terror de todas as turmas, pois pelo que posso recordar suas aulas eram repletas de uma prática que os alunos odiavam, principalmente os garotos tímidos como eu. Em certos momentos da aula ela fazia perguntas para que nós respondêssemos no quadro, dá para mensurar o nível de tensão na qual éramos submetidos, pois havia a toda a turma te olhando, caso você errasse a conta a professora anotava no seu caderno a nota merecida, logo quem errava a questão iriam acumulando pontos negativos que seriam refletidos na sua avaliação final.
Refletindo sobre essa prática posso perceber por que naquele ano pela primeira vez na vida tive que ter aulas particulares de matemática pagas com esforço pela minha mãe, acho que a aversão a essa metodologia criou em mim uma barreira que dificultou meu aprendizado. Na minha percepção as metodologias de ensino, neste caso envolvendo a matemática devem procurar envolver ao máximo o aluno para que desperte nele o interesse pelo aprendizado da matéria sempre que possível utilizando variadas formas de avaliação.

Decoreba, a arte da acumulação

Duas cenas são remetidas na minha cabeça quando lembro-me da preparação para as provas. NA primeira cena estou sentado no sofá tentando decorando uma tabuada insistentemente para a prova de matemática, em certos momentos tenho ajuda dos meus pais. Já na segunda cena estou a decorar a ordem dos planetas que fazem, ou melhor faziam parte do sistema solar, lembro-me de andar de um lado para o outro da sala falando em voz alta(para não esquecer, ou para entrar de uma vez por todas na minha cabeça) a ordem dispostas desses planetas.
Posso notar hoje que ambas as situações eu estava exercendo a arte da decoreba para poder passar nas provas, não que seja de todo mal, mas me pergunto se realmente havia na prática do professor o objetivo de ofertar aos seus alunos a real compreensão dos conceitos abordados em sala de aula ou a simples reprodução do conteúdo visto nos livros didáticos.

Um novo lar, uma nova escola

Após ter concluído todo o ensino fundamental meus pais decidem voltar para a terra natal deles, aqui ingressei no ensino médio na escola pública Francisco Pessoa de Brito. Minha participação dentro desta escola pode ser dividida em dois momentos, o primeiro como estudante do turno da manhã e o segundo quando passei a frequentar a escola a noite.
No primeiro ano do ensino médio eu estava indo bem mal na disciplina de matemática, sim ela novamente. Como resultado fiquei na prova final precisando de alguns pontos para passar. Como de costume o professor sempre aplicava uma “aula extra” para todos aqueles que precisavam de alguns pontos para passar de ano. Porém o mais surreal é que essa tal aula era cobrada, não me lembro exatamente o valor. Por fim, todos nós (muita gente estava na mesma situação) passamos para a próxima série.
Certamente isso não foi a atitude mais ética partida desse professor, ele se aproveitou das necessidades que certos alunos tinham para oferecer algo que na sua prática na sala de aula da escola não deveria acontecer.
Com a necessidade de trabalhar fui estudar no turno da noite. Naquela época não muito, mas hoje posso perceber o quanto a qualidade e a quantidade dos conteúdos que eu devia aprender que poderiam me ser útil futuramente foi bruscamente reduzida por diversas questões como falta de professores, curto tempo de aula, entre outras coisas.
As avaliações frequentemente se davam através trabalhos de pesquisa na internet e provas, sendo que em muitas delas eram pesquisadas, certos professores não se preocupavam com as “pesquisas” constantes feitas aos colegas das carteiras ao lado. Por fim, todos passavam com praticamente as mesmas notas e respostas quase idênticas.


A Universidade

Minha entrada na universidade foi um marco significativo na minha vida. De família humilde e tendo frequentado no máximo até a quarta série meus pais sempre me apoiaram para seguir em frente, pois sabem que o caminho em direção a Educação é transformador.
Eu poderia mencionar diversos momentos em que a prática de avaliar se desvirtua da avaliação da aprendizagem proposta por Luckesi. Isso se dá pelo fato de que na universidade a característica da avaliação é na maior parte dos casos classificatória e excludente, por vezes a utilizam de forma autoritária, ou seja, certos professores usam a pedagogia voltada para a conservação dos “status quo”, no qual estudante que já tem as aptidões necessárias para a disciplina seguiram em frente, já os demais ficaram pelo caminho.

Conclusão

Em resumo, minha experiência em relação a avaliação escolar foi na maior parte dos casos caracterizada pelo não uso da abordagem reflexiva, inclusiva e dialógica. Isso não quer dizer que não tive durante minha trajetória estudantil professores preocupados com a questão da real construção do aprendizado em sala de aula. O fato é que a avaliação da aprendizagem sob a lógica tradicional se sobrepôs bastante aos casos em que a avaliação foi voltada para a formação do conhecimento no aluno.
Concordo com as palavras ditas no livro Avaliação da aprendizagem escolar pelo professor Luckesi quando ele diz que a maioria das escolas ainda hoje em sua maioria trabalham com uma pedagogia voltada para o exame, no qual por se vezes acaba por refletir o modelo pertencente a essa sociedade altamente classificatória e excludente resultando em altas taxas de fracasso escolar por todo nosso país.



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Flor da Honestidade


Conta-se que por volta do ano 250 a. C., na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.

Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de ser sua esposa. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa, contou à garota e desesperou-se ao ver que ela pretendia ir à celebração, indagando preocupada:
"Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas senhoritas da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne esse sofrimento uma loucura."

E a filha respondeu:
"Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, e isto já me torna feliz."

Na hora marcada, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas meninas, com as mais belas roupas, as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções.

Então, o príncipe anunciou o desafio:
"Darei, a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais linda flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China."

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo.

O tempo fluiu e a doce criaturinha, posto não tivesse muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com bastante paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Todavia passaram-se três meses e nada surgiu.

A mocinha tudo tentara, empregara todos os métodos que conhecia, porém nada havia nascido. E findaram os seis meses.

Consciente do seu esforço e dedicação, ela comunicou à
mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, no prazo combinado, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

E lá se apresentou, com seu vaso vazio, bem como as demais pretendentes - cada uma com uma flor mais bonita que a outra, das mais variadas cores e formas. A jovem ficou admirada, jamais presenciara cena tão sublime.

Finalmente, chegou o momento esperado: o príncipe passou a observar a flor trazida por cada uma das pretendentes, com muito cuidado e atenção. Após minuciosa análise, ele anunciou um resultado surpreendente, indicando a cativante e humilde jovem como sua futura esposa.

O público presente, perplexo, quis saber o motivo: afinal, o desafio previa que se casaria com a moça que lhe trouxesse a flor mais irresistível  e ele escolhera, justamente, a que não cultivara flor alguma...

Então, calmamente, o príncipe esclareceu:

- Esta jovem foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: A Flor da Honestidade. Senhoras, senhores e senhoritas: todas as sementes que entreguei eram estéreis.
                                               

A honestidade é como uma flor, tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.
Independente de tudo e de todas as situações que nos rodeiam, que possamos espalhar essa luz àqueles que nos cercam.
Se para vencer, estiver em jogo a sua honestidade, PERCA!
Você será sempre um vencedor!

Mitchel Resnick: "A tecnologia deve levar o aluno a ser um pensador criativo"



Nos últimos anos, as escolas públicas vêm incorporando em suas atividades equipamentos como computadores, lousas digitais e projetores multimídia. Para os professores, no entanto, tem sido difícil desenvolver estratégias que usem esses recursos para ensinar os conteúdos. Na opinião de Mitchel Resnick, as novas tecnologias ainda servem com frequência para reproduzir um modelo tradicional, com aulas expositivas e pouca construção coletiva do conhecimento. "É necessário oferecer oportunidades para os jovens criarem projetos, experimentarem e explorarem novas ideias", diz. Só assim, de acordo com ele, será possível pensar o processo educacional de forma diferente e apoiar abordagens originais, que levem ao aprendizado com sentido. Resnick esteve em São Paulo em abril para participar do evento Transformar 2014.

Quando se fala em tecnologia, para muitos educadores a referência é um computador conectado à internet. Isso ainda faz sentido?

Há diversas formas de empregar a tecnologia nas salas de aula. Eu estou mais interessado no uso dela para criar abordagens inovadoras de ensino e aprendizagem. Até hoje, a maioria dos docentes se vale dos recursos tecnológicos para reproduzir o modelo de aulas expositivas, em que as informações são passadas aos estudantes. Não acredito que essa seja a melhor maneira de preparar crianças e jovens para o futuro. Na sociedade atual, tudo muda rapidamente. Por isso, em nosso trabalho de pesquisa no MIT, pensamos que a tecnologia deve levar o aluno a ser um pensador criativo, se desenvolvendo por meio de trabalhos coletivos que envolvam a experimentação de novas formas de se relacionar com o mundo.

Por que a cultura de aulas expositivas ainda é tão forte se não parece a forma mais eficaz de ensinar?

As escolas demoram demais para mudar. E essa forma de ensino, baseada na entrega de informações para os alunos, que é seguida por muitas delas, tem uma longa história. À primeira vista, pode parecer uma proposta mais eficaz apresentar os conteúdos de uma única forma para todos. Mas, claramente, isso não funciona, porque os estudantes são diferentes. Fazer a transição para outra abordagem não é simples nem rápido. Os professores precisam refletir sobre o processo educacional para poder apoiar e praticar projetos orientados por uma participação ativa e criativa da turma em classe.

O problema está na formação dos professores, que não são preparados para atuar nesse ambiente de interação?

Sim. Trabalhar desse modo requer formação, que muitos educadores não têm. Além disso, eles devem estar dispostos a dar aos alunos liberdade para explorar os próprios interesses. Essa abertura permite a eles o acesso a informações que talvez não tivessem e a realização de diferentes tipos de projeto.

Nessa interação, os docentes podem também aprender, não só ensinar.

Sim, esse é um ponto muito importante. Temos tradição no modelo de aprendizes, ou seja, quem quer aprender algo precisa trabalhar com um especialista no assunto. Na minha visão, o fundamental é aprender a ser um bom aprendiz, o que vale também para os professores. Eles não devem ter medo de não saber todas as respostas. Se isso ocorre, eles vão em busca delas junto com a turma.

Seu grupo no MIT estuda projetos que visam tornar a escola parecida com a Educação Infantil. De onde vem essa ideia?

Sempre fui fascinado pelo modo como as crianças pequenas aprendem e se relacionam. Nessa fase, elas passam muito tempo trabalhando em colaboração umas com as outras: constroem com blocos, pintam e desenham, aprendendo a transformar uma ideia em um projeto. Essa é uma das coisas mais importantes que alguém pode aprender. No Ensino Fundamental, o sistema escolar normalmente se transforma e adquire uma abordagem focada na mera transmissão de informação. Por meio do projeto Lifelong Kindergarten, atuamos na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias, atividades e estratégias para que qualquer um possa aprender dentro do estilo do jardim de infância.

O projeto mantém centros de estudos para alunos com idade entre 10 e 18 anos. Que trabalho é desenvolvido nesses locais?

Começamos com os chamados Computer Clubhouses, centros de ensino frequentados no contraturno, projetados especificamente para alunos de comunidades de baixa renda. A ideia é proporcionar a eles oportunidades de aprender de forma criativa com novas tecnologias. Existem cerca de 100 espalhados pelo mundo - um deles no Brasil -, recebendo 200 crianças e adolescentes cada um.

Qual o perfil dos profissionais que trabalham nesses centros?

Alguns são meus alunos - cientistas da computação e engenheiros especializados em desenvolvimento de tecnologia. Outros são educadores, que atuam no desenvolvimento de estratégias de ensino. Designers e pessoas com formação em Arte também fazem parte do time. Talvez esta seja uma das razões fundamentais do nosso sucesso: trabalhar com pessoas de formações diversificadas.

A partir de que idade a tecnologia pode ser usada em aula?

Desde muito cedo. Temos de lembrar que a tecnologia é qualquer coisa criada depois que nascemos. Giz de cera é tecnologia. Anos atrás, ele era visto como algo totalmente novo. Hoje é considerado um material banal. Para pensar sobre todas as tecnologias, temos de adotar o mesmo raciocínio: como elas podem ser usadas de forma relevante por crianças de determinada faixa etária? Não se trata exatamente do que utilizar, mas de como.

De que forma os professores ao redor do mundo têm aproveitado a tecnologia?

Nesses anos todos, me deparei com experiências muito boas e vi coisas que me deixaram frustrado. Visitei, por exemplo, uma escola em Cingapura onde todos os alunos tinham laptop, mas o professor dava pontos aos que conseguiam responder às perguntas primeiro. Essa é uma forma muito ruim de usar a tecnologia. Por outro lado, fui a outros lugares com o mínimo de tecnologia, que era utilizada de maneira criativa. Na Índia, conheci uma escola que só tinha um computador, utilizado por diversas crianças para criar uma história. Depois, elas apresentaram um espetáculo de fantoches e o computador serviu para projetar o cenário.

Mesmo nas nações desenvolvidas, ainda há espaço para aprender como usar recursos tecnológicos nas salas de aula?

Sim, especialmente em países como o meu. A maioria das escolas norte-americanas emprega tecnologia digital para reforçar todo o processo de Educação. Ela ainda serve para passar informações aos estudantes, não para que eles tenham a possibilidade de criar e se expressar com o computador. Temos um longo caminho a percorrer nessa área.

Há muitas escolas no Brasil sem acesso à internet. É possível introduzir tecnologia no ensino sem equipamentos?

Em primeiro lugar, o mais importante é dar oportunidade às crianças de criar, projetar, experimentar e explorar. É perfeitamente possível fazer isso com materiais do dia a dia. As novas tecnologias podem aumentar o leque de possibilidades de aprendizagem, mas não são decisivas. O difícil é fazer o simples.

O que mudou nesses 20 anos de existência do projeto?

A mudança nas tecnologias foi imensa, mas nossa ideia sobre ensino e aprendizagem permanece a mesma.

Publicado em NOVA ESCOLA Edição 273, JUNHO/JULHO 2014. Título original: "A tecnologia deve levar o aluno a ser um pensador criativo"

A RAINHA E O ESPELHO


Era uma vez...
Uma rainha que vivia em um castelo.
Ela tinha uma varinha mágica que fazia as pessoas bonitas ou feias, alegres ou triste, vitoriosas ou fracassadas. Como todas as rainhas, ela também tinha um espelho mágico. Um dia, querendo avaliar sua beleza, também ele perguntou ao espelho:
- Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?
O espelho olhou bem para ela e respondeu:
- Minha rainha, os tempos estão mudados. Esta não é uma resposta assim tão simples. Hoje em dia para responder a sua pergunta eu preciso de alguns elementos mais claros.
Atônita, a rainha não sabia o que dizer. Só lhe ocorreu perguntar:
- Como assim?
- Veja bem, respondeu o espelho - Em primeiro lugar, preciso saber por que Vossa Majestade fez essa pergunta, ou seja, o que pretende fazer com minha resposta. Pretende apenas levantar dados sobre o seu ibope no castelo? Pretende examinar seu nível de beleza, comparando-o com o de outras pessoas ou sua avaliação visa ao desenvolvimento de sua própria beleza, sem nenhum critério externo? É uma avaliação considerando a norma ou critérios predeterminadas? De toda forma, é preciso, ainda, que Vossa Majestade me diga se pretende fazer uma classificação dos resultados.
E continuo o espelho:
- além disso, eu preciso que Vossa Majestade me defina com que bases devo fazer a avaliação. Devo considerar o peso, a altura, a cor dos olhos, o conjunto? Quem devo consultar para fazer essa análise? Por exemplo: se utilizar parâmetros nacionais, poderei ter outra resposta. Entre a turma da copa ou mesmo entre os anões, a branca de Neve ganha estourado. Mas, se perguntar aos seus conselheiros, acho que minha rainha terá o primeiro lugar. Depois, ainda tem o seguinte - continuou o espelho: - Como vou fazer essa avaliação? Devo utilizar análises continuadas? Posso utilizar alguma prova para verificar o grau dessa beleza? Utilizo a observação?
Finalmente, concluiu o espelho: - Será que estou sendo justo? tanto são os pontos a considerar...